sexta-feira, 15 de março de 2019

A marca da infertilidade

Hair pinterest// em✨

A marca da infertilidade nunca vai desaparecer da minha vida, a cada mês que passa a marca fica mais profunda. Não me sinto diminuída enquanto mulher por ter um problema de infertilidade, estou desde sempre bem resolvida comigo. 

Mas perante os outros, perante a sociedade serei sempre a mulher que esperou anos por um filho, serei sempre a mulher que tomou medicação e injecções sem fim para ficar grávida, serei sempre a que recorreu a uma fertilização in vitro para conseguir ter um filho, serei sempre a mulher que teve um aborto antes de conseguir levar uma gravidez ao fim, serei sempre a mulher que podia ter um filho cinco anos mais velho se não tivesse problemas de infertilidade, serei sempre a mulher que não consegui naturalmente engravidar, serei sempre a mulher que recorreu a tratamentos de infertilidade, serei sempre a mulher de quem as outras mães tem pena.

17 comentários:

S* disse...

Não tenho pena de nós. Tenho orgulho. Irás conseguir.

Titica Deia disse...

Serás mesmo para a sociedade ou para ti? Não fiques assim, isso não são características, são situações, não te conheço mas conheço alguém como tu, e não é isso que falo quando falo dela a alguém... Têm fé em ti, Têm fé na sociedade e têm fé nas energias do universo!!! Beijinhos de força!!

м♥ disse...

Acredito que, por muito bem resolvidas que sejamos ou por mais que não liguemos aos comentários dos outros, estas coisas façam mossa. É chato, é uma imagem que não queríamos que os outros tivessem de nós. Mas no esquema geral das coisas, o que importa é aquilo que nós pensamos de nós mesmos e se estás bem contigo, tenta não pensar muito nisso. Os outros são só os outros e nós somos muito mais do que uma característica.

Elvira Carvalho disse...

Minha amiga, não vá por aí. Ninguém tem pena da gente a não ser nós próprias.
Pense em si e no seu marido. Naquilo que ambos desejam, e sobretudo naquilo que ambos sentes. O resto não importa. Já ultrapassei os setenta anos, já vivi muito. E sobretudo passei por isso numa época em que a medicina estava muito mais atrasada. Durante 11 longos anos submeti-me a tratamentos atrás de tratamentos. Era apaixonadíssima pelo meu marido e meti na cabeça que se não fosse mãe, mais dia menos dia ele me deixaria. E isso quase me endoideceu. A certa altura comecei a sonhar com a morte dele. O sonho tornou-se repetitivo, e eu comecei a ter medo de adormecer. Nenhum dos medicamentos que tomava para dormir me faziam dormir e ao fim de vários dias eu já nem sabia quem era. Fui internada, fiz uma cura de sono durante 8 dias e quando me deram alta encaminharam-me para a psiquiatria.
O psiquiatra, disse-me que o meu subconsciente tinha assumido que o marido me ia largar por não conseguir ser mãe. E durante o sono o subconsciente fazia vir esse receio à superfície com o sonho da morte dele. A morte não era mais do que a separação que eu esperava.
Quando saímos do consultório, o meu marido disse-me:
"Vamos acabar com este sofrimento. Para mim não é muito importante que tenha ou não filhos, mas se para ti é tão importante que te causa tanto sofrimento, vamos adotar uma criança e acabou-se, todo este inferno de tratamentos, esperas angustiantes e desilusões."
Inscrevemos-nos e ficámos numa lista de espera. Três meses depois aqui bem perto da minha casa, uma mulher abandonou o marido com dois filhos. Uma menina com 5 anos e um bebé com dois meses. O pai disse que ia dar o bebé para adoção pois tinha de trabalhar e não podia pagar uma cresce para os dois.
Fomos buscar o menino e no dia seguinte ele foi com o meu marido a um advogado, assinou os documentos que o mesmo lhe apresentou e iniciámos o processo de adoção. Vivemos um ano em suspenso, porque nos informaram que o pai tinha um ano para resolver a sua vida e criar ou não condições para vir buscar o bebé. Felizmente no fim desse ano o pai biológico voltou a assinar os papéis e então o processo decorreu normalmente. Dias depois do bebé ter feito três anos por ata judicial passou a ser legalmente nosso filho.
Vai fazer 39 anos em Junho, já tenho uma neta com dez anos e o segundo neto está a caminho. E continuo casada e apaixonada pelo meu marido.
Conto-lhe isto, para lhe mostrar até onde essa frustração a pode levar.
Abraço

Anónimo disse...

Olha, desculpa que te diga mas antes pena que raiva. Eu sou aquela a quem já chamaram de monstro, a quem a minha mae diz que devo esconder o que sou, que tem vergonha de mim, a quem as outras mães olham de lado, com desdem e rancor. Sou mulher, sou casada há 5 anos e não pretendo ser mãe. Honestamente até percebia essa reacção de alguém que passou por aquilo que estás a passar, que ache "desperdicio" ou "injusto" eu nem sequer tentar e quem quer muito não consegue. Mas não consigo perceber a reacção que têm comigo todas as outras mães que engravidaram sem problemas e me tratam mal.

Anónimo disse...

Aquilo que a sociedade pensa não interessa para nada e além disso serás sempre a mulher que lutou sempre por aquilo que quis e é um exemplo a seguir para todas.

Mary disse...

Não podes viver em função do que os outros pensam ou deixam de pensar.
Tu és tu, tens as tuas lutas e irás ter as tuas vitórias, mas é por ti e para ti, não para teres de provar nada a ninguém.
Estou a caminho dos 34 anos, consequentemente as pessoas mandam a boca delas no que diz respeito a ter filhos e quando eu digo que eu não quero ter filho as pessoas ficam muito chocadas, excepto as que me conhecem, as que conhecem os meus problemas de saúde.
Eu poderia ter um filho mas que mãe seria eu em colocar uma criança no mundo quando a maior parte dos dias não me seguro por causa dos tratamentos, que mãe seria eu se passo a vida em consultas e exames.
Iria eu colocar uma criança no mundo que poderia nascer com o mesmo problemas de saúde que eu? Não, jamais desejo tal coisa à pessoa que menos gosto que passe um bocadinho do que eu passei quanto mais a um ser inofensivo.
Por isso o que os outros dizem ou pensam a mim não me importa, o que importa é o que eu acho correto independente das minhas amigas serem quase todas mães, eu digo que sou tia deles todos.
Tens que olhar apenas para ti, ter a fé e a esperança se é isso que queres, o resto ignora, o teu pensamento está muito focado no que os outros pensam ou podem pensar.
Descontrai, relaxa e quando menos esperares vais ver que tudo vai correr bem.
Força, fé e esperança.

Luciana disse...

Engano seu. Será vista como a mãe guerreira que lutou muito para ter um filho nos braços!! Vai conseguir, vc é a mãe guerreira que nunca desistiu do sonho de ser mãe e luta para conseguir!! Abraços carinhosos

a pessoa insiste disse...

Tantas mensagens bonitas por aqui. Nada tenho acrescentar sem ser que o que sinto por quem trava essa luta, e uma enorme admiração pela coragem, a força e a resiliência

Aproveito para deixar uma abraço apertado e um beijinho sincero

Love Adventure Happiness disse...

Há muito mais abortos do que se conhece! uma grande parte em concepções naturais... Infelizmente é mais comum do que seria desejável mas ao mesmo tempo, na maioria das vezes, é o nosso corpo a rejeitar um embrião com problemas ou a dizer que ainda não está preparado para essa tarefa...
Há também actualmente mais e mais mulheres a recorrer a PMA, por isso és tu e mais umas largas dezenas, senão centenas, de milhar que levam injecções, que fazem FIV ou IA. Sim ainda é meio tabu mas porque nós fazemos por isso. Infelizmente é muito frequente, estamos a ter filhos cada vez mais tarde e a nossa biologia não se adaptou só porque a sociedade mudou.

Mas tenho esperança que sejas mais uma das que conseguiu, que superou tudo e acabou com um bebé nos braços!

Coquinhas disse...

Um dia serás mãe. Só isso é que interessa. Força

Meu Velho Baú disse...

Desculpe Maria mas aqui não estou de todo de acordo
Será e é sim uma grande Mulher por diversas razões não tem que se culpabilizar
pelo facto da Maternidade ou o por aquilo que os outros pensam.
Certamente na sua Vida tem coisas e faz coisas bem interessantes que fazem de si uma grande Mulher
Beijinhos

Green disse...

Lamento que te sintas assim, mas acho que o melhor é mesmo não pensares no que os outros poderão pensar, até porque isso nem sequer é importante.

Anónimo disse...

Serás, sobretudo, a mulher que não desistiu do seu sonho, a mulher que não baixou os braços, a mulher que conseguiu limpar as lágrimas nos dias mais difíceis e voltou a sorrir rumo ao seu objetivo, serás a mulher lutadora, de garra e forte. Serás a mulher com M grande, como há poucas. :)

♥Cat disse...

Claramente tu és uma grande lutadora que não merece pena mas sim ovações pela força que tens tido!
Independentemente de realmente te verem assim, ou não, lamento sobretudo que sintas esse estigma. Espero que em breve não sejas essa mulher que descreveste mas sejas apenas Maria, a mãe feliz!

Anónimo disse...

Sinceramente não concordo!!!!
Serás sempre o que quiseres ser!!!
O julgamento dos outros já é aquilo que Tu te estás a fazer…
Liberta. Te dessa amarra!!
á assim que te vês!!!???

Eu pelo que leio vejo alguém cheio de coragem e amor para dar…

és

1+1=2 disse...

Eu compreendo-te perfeitamente! Sei pelo que passas, percebo o que sentes.
O meu coração espelha o mesmo, a minhas consciência também.
No entanto somos mulheres, detentoras de direitos, resilientes.
Acredito que um dia chegará a nossa vez!